CECÍLIA BARREIRA, “INCÊNDIO”
Livros e Autores
No programa “Livros e Autores” acende-se com a presença luminosa de Cecília Barreira. Poeta de voz singular, professora universitária apaixonada e colaboradora querida da Revista InComunidade, Cecília transporta-nos para o cerne da sua mais recente obra poética, o sugestivo “Incêndio”. Mas a nossa conversa vai muito além das chamas literárias, explorando a rica tapeçaria da sua trajetória, as influências que moldaram a sua escrita e a sua recente incursão no intrigante mundo da prosa.
“Incêndio”: O Fogo que Arde nas Palavras
O título do seu novo livro de poemas, “Incêndio“, ecoa com uma intensidade que nos convida à introspeção. Longe de remeter a tragédias concretas, este fogo literário acende-se no âmago das emoções, nas reflexões sobre a sociedade, o íntimo e os labirintos da psique humana. A capa, vestida de um negro elegante com um toque alaranjado que remete à brasa, prenuncia a luz que emana das palavras de Cecília, uma chama que teima em brilhar mesmo na escuridão.
A autora partilha que “Incêndio” nasceu num período de efervescência criativa, especialmente durante o isolamento imposto pela pandemia. Paradoxalmente, o confinamento tornou-se um terreno fértil para a sua poesia, resultando num conjunto de poemas que agora ganham forma e voz neste novo livro.
A Arte em Múltiplas Formas: Da Poesia à Prosa Sombria
A criatividade de Cecília Barreira não se aprisiona nos versos. Durante a conversa, descobrimos uma faceta surpreendente: a sua incursão na prosa. Um livro de contos com cerca de 300 páginas está a caminho, revelando narrativas curtas influenciadas por mestres como Raymond Carver. Temas como violações e serial killers, raramente explorados na literatura portuguesa contemporânea, encontram espaço na sua escrita em prosa, numa ousada exploração dos recantos mais sombrios da existência. Esta versatilidade demonstra a amplitude e a inquietude da sua visão artística.
As Vozes que Ecoam: Influências e a Singularidade de um Estilo
Ao explorarmos as influências literárias que moldaram a sua escrita, o nome de Alberto Caeiro (heterónimo de Fernando Pessoa) emerge como uma bússola poética. A leitura de Alberto representou uma verdadeira “revolução” na sua forma de escrever poesia. A admiração por Ruy Belo também se faz presente, com um poema dedicado ao autor em “Incêndio”. Curiosamente, apesar da inegável genialidade de Herberto Helder, é a simplicidade complexa de Alberto que parece ressoar com mais força na sua voz poética.
A Academia como Alicerce da Criação
A sua sólida carreira como professora universitária na área de História e Cultura Contemporânea também se entrelaça com a sua produção literária. A constante imersão em textos e a reflexão crítica inerentes ao ambiente académico enriquecem o seu universo criativo, conferindo profundidade e densidade à sua escrita. Para Cecília, a poesia é fruto de trabalho árduo e rigor, desmistificando a ideia da inspiração como único motor da criação.
Um Poema que Ilumina: “Se Todos os Nomes”
O poema que abre “Incêndio”, “Se Todos os Nomes”, é uma ode ao amor na sua forma mais pura e humana. Longe da escuridão que por vezes se associa à sua poesia, estes versos revelam uma ternura e uma sensualidade delicada, mostrando a complexidade de temas que habitam a sua obra.
“Incêndio”: Uma Chave para Entender a Alma da Literatura
A conversa com Cecília Barreira em “Livros e Autores” é uma oportunidade única de mergulhar no universo multifacetado de uma escritora essencial. “Incêndio” é mais do que um livro de poemas; é um portal para a compreensão das paixões, das reflexões e das inquietações que movem a alma da literatura. Agradecemos a Cecília Barreira por partilhar a sua luz e as suas palavras connosco.

